quarta-feira, 25 de março de 2009

música independente - hoje e amanhã

Esta semana me deparei com duas matérias interessantes no site do Sebrae, na qual discorre sobre o mercado da música independente no Brasil e os novos rumos do mercado fonográfico, tendo como contra ponto a indústria da pirataria, já não tão incipiente e muito organizada. Num outro âmbito e como o que complementa a discussão sobre o papel da internet hoje como objeto democrático e muitas vezes gratuito de divulgação e venda dos trabalhos de artistas à margem das grandes gravadoras. Tudo isso deságua no Estudo de Mercado da Música Independente que o Sebrae Nacional lançou ano passado, na qual apresenta e detalha como está o nosso mercado interno nessa área e as perspectivas para o futuro ainda vislumbrado as promoções virtuais como ferramenta fundamental para as produções à margem das médias e grandes mídias (TV e rádio principalmente). Assim , para você que é músico e está na estrada, seja à primórdios ou a pouco tempo, não deixe de ler ambas as matérias. E vamos sapecando nosso macaco.

As matérias abaixo foram extraidos dos sites do próprio Sebrae e do Minc (Ministério da Cultura):

Música independente ganha espaço no Brasil
Fonte: ESPM

Novos rumos no mercado fonográfico

A música independente ganha mais espaço no mercado e conquista cada vez mais um público de consumidores exigentes. De olho nessa nova realidade e com o objetivo de apoiar as pequenas empresas desse segmento, o Sebrae fez um levantando sobre como funciona e como é o perfil de quem atua no ramo musical de maneira independente.

Crescimento
O relatório apontou que o segmento da música independente representa em torno de 25% do volume total da fonografia. Em 2004, por exemplo, esse percentual significou aproximadamente R$ 176 milhões comercializados e 80% da produção nacional de fonogramas. Essa fatia significativa do mercado reflete as operações em grande escala das Majors, ou seja, um único álbum de uma grande gravadora pode ter mais de cem mil cópias produzidas e vendidas, enquanto os números das pequenas gravadoras costumam ficar bem abaixo desse patamar.

A pesquisa destacou que o mercado de CDs, também em 2004, representou R$ 700 milhões em vendas, sendo que deste total 57% foram produções nacionais, gerando um consumo aparente de 0,15 CD por habitante.

Pirataria ainda é o grande vilão
Desde 2002, as vendas online de CDs vêm caindo em torno de 20%. Essa queda se dá principalmente em função da pirataria na produção e comercialização dos discos. Com isso, é importante ressaltar que mais de 50% dos fonogramas adquiridos pelos consumidores brasileiros é de origem ilegal, fruto da pirataria, comercializada por vendedores ambulantes ou até mesmo na internet.

Vendas online
O crescimento mundial das vendas online no segmento musical ultrapassa a casa dos dois dígitos todos os anos. Nos últimos anos, surgiram diversas lojas de música online, mas ainda não há um grande volume de vendas registradas no país.

Perfil do consumo da música no Brasil
O consumo da música pode acontecer em execuções públicas ou domésticas. Na execução pública o consumo se dá através de intermediários (TV, rádio, em festas, recepções) e tem como principal característica o não pagamento direto, por parte dos consumidores, para autores e/ou gravadoras. Há o recolhimento de taxas de direitos autorais pelo Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (ECAD). Já no consumo doméstico, seja a música comprada em lojas ou via internet, o usuário remunera diretamente a cadeia (artistas, gravadoras, lojas) a partir da compra do produto.

Perfil da comercialização
A comercialização tem como desafios a seleção geográfica, o tipo de mídia a ser empregado e os meios a serem utilizados para distribuir as músicas. Para a comercialização do suporte físico (o CD), destacam-se hoje, no mercado legalizado, as livrarias, as lojas especializadas, as grandes redes varejistas. Já os camelôs são “pontos de venda” especializados em CDs piratas.

As lojas especializadas em vendas via internet trabalham com o formato digital. Em lojas virtuais da própria gravadora, as músicas podem ser negociadas para se tornar ringtones (músicas destinadas a substituir o toque convencional de um celular), entre outras opções.

Tendências
O relatório mostra as tendências de como deverá se comportar o mercado da música independente no Brasil, nas áreas de produção, comercialização e também o comportamento do consumidor. Um exemplo será a expansão das lojas on line, que irão vender o fonograma sem a obrigatoriedade da compra do CD completo.

Fonte: Sebrae - Cultura e Entretenimento


Internet é alternativa para artistas e gravadoras independentes

Tatiana Alarcon - Sebrae Notícias

Conclusão está no Estudo de Mercado da Música Independente que o Sebrae lança na quinta-feira (21), na Feira de Música de Fortaleza, no Ceará; material destina-se a orientar músicos e gravadoras.

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Estudo de mercado do Sebrae pode auxiliar músicos e gravadoras independentes
Brasília - A internet é o mais crescente e democrático canal de vendas para artistas e gravadoras independentes. É o que conclui o Estudo de Mercado da Música Independente que o Sebrae Nacional lança nesta quinta-feira (21) na Feira de Música de Fortaleza na capital cearense. O material apresenta um retrato do setor no País e aponta as principais tendências. Uma delas é que os ambientes virtuais podem ser um caminho de sucesso para a música nacional.Elaborado pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), o estudo traz informações cruciais sobre a cadeia da música, que envolve um conjunto gigantesco de profissionais. Há análises sobre as diversas etapas do processo de produção, englobando pré-produção, produção em si, distribuição, comercialização e até o consumo.

“São orientações para apoiar entidades e empresários a estabelecer estratégias para acessar o mercado, cada qual de acordo com a sua realidade”, explica a coordenadora técnica do documento, Patrícia Mayana.

As juras de um futuro promissor pela internet partem do pressuposto de um aumento crescente e significativo no faturamento das lojas virtuais nos últimos anos. Segundo dados do site IDG Now, especializado em internet, as vendas online no País, em 2007, cresceram quase 45% na comparação com o ano anterior.

Em compensação, a venda da música no formato físico, ou seja, em CD, segue tendência mundial e apresenta queda significativa. Em 2001, o faturamento do setor com a venda de discos compactos foi de R$ 891 milhões. Em 2004, esse número caiu para R$ 701 milhões. E, no ano passado, o faturamento despencou, chegando a R$ 337 milhões.

Com as vendas pela internet crescendo substancialmente, a exportação da música brasileira explodiu no mundo. Sem as barreiras impostas pelo transporte e pela burocracia da importação, o comércio é facilitado e já gera bons lucros a gravadoras e artistas nacionais. Dados da Agência Brasileira de Promoção de Exportação e Investimentos (Apex) mostram que, durante a Feira Internacional de Música, na França, em 2006, o Brasil fechou mais de US$ 2 milhões em negócios com empresas e lojas on-line européias.

Especialmente em relação à música independente, a internet é um canal ainda mais promissor. Segundo relatório da Associação Brasileira da Música Independente (ABMI), 80% da produção nacional de fonogramas (música) é de independentes, o que representa 25% do total vendido no País. No Brasil, as produtoras ou selos independentes somam mais de 400 empresas, em sua maioria micro e pequenas, que, juntas, possuem grande participação no mercado.

“Pela internet, artistas e pequenas gravadoras tem mais recursos e facilidade para divulgar seu produto e atingir o público específico. E como a internet não tem fronteiras, essa divulgação passa a ser internacional. Além disso, quando o consumidor paga pelo produto, toda a cadeia é remunerada”, explica Matheus Marangoni, pesquisador da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM).

Ameaças

O estudo traz ainda abordagens do segmento a partir da política nacional, entidades de apoio e legislação. De acordo com o material, o governo brasileiro procura incentivar a cultura por meio de leis de incentivo ao patrocínio privado de obras com cunho cultural. Entidades de apoio também se organizam em torno da auto-regulamentação, auxílio à produção cultural e combate à pirataria.

Marangoni explica que a pirataria e a economia informal, em todas as suas manifestações, representam grande ameaça ao retorno financeiro das gravadoras de qualquer porte. Segundo o pesquisador, estimativas dão conta de que 40% das vendas de música sejam realizadas informalmente.

“As leis de direitos autorais ainda são pouco aceitas pela população brasileira. Embora exista uma legislação específica e bem clara sobre o tema, as pessoas, em geral, não reconhecem sua importância e não consideram uma prática efetivamente ilegal comprar discos em camelôs ou fazer downloads pela internet sem pagar por isso”, comenta o pesquisador.

Nichos

Além disso, o estudo aponta outras fragilidades para a música independente, como a falta de verbas pelas pequenas gravadoras para a divulgação nas mídias tradicionais, falta de organização do setor e da cultura de cooperação, baixo poder de barganha junto aos fornecedores, problemas com a falta de estrutura física e operacional para gerar produtos de alta qualidade, e falta de acesso aos grandes varejos.

Como solução, o estudo sugere uma atenção especial às potencialidades do setor, que indicam grande poder e facilidade para atender a nichos de mercado específicos, seja por regiões, estilo musical ou público-alvo. Segundo o levantamento, o crescimento do mercado de nichos é uma tendência que reflete a procura cada vez maior de consumidores por artigos especializados. “É muito mais fácil entrar no varejo com um produto específico”, conta Marangoni.

Outra porta de entrada para o sucesso é a participação em festivais de música independente. Essa participação é apontada como uma excelente oportunidade para divulgação de novas bandas e artistas. Segundo Marangoni, “os festivais são movimentos de grande repercussão, que oferecem amplo espaço de divulgação e visibilidade”.

Pró-música

Desde 2001, o Sebrae promove ações para estimular a competitividade e o desenvolvimento sustentável da indústria musical. Grandes feiras, eventos de negócios, publicações e orientações a músicos e empreendedores do setor são algumas das ações que ajudam a dar mais fôlego à música nacional. De acordo com Décio Coutinho, gestor da carteira de cultura do Sebrae, existem atualmente projetos em 11 estados brasileiros sendo desenvolvidos.

Para apoiar o direcionamento de estratégias, o Sebrae lançou no ano passado o ‘Termo de Referência da Cultura e Entretenimento’. Recentemente, criou em seu site uma página setorial voltada especificamente sobre cultura. O portal abrange os setores de artes cênicas e performáticas, audiovisual, festas populares e, claro, música. Lá, o visitante encontra informações sobre o mercado, legislação e políticas, além de orientações sobre a abertura e aprimoramento de negócios.

“Esta nova publicação é um documento de orientação, para nortear profissionais da área e toda a cadeia produtiva”, diz Coutinho. O Estudo da Música Independente será distribuído em CD a todas as unidades estaduais do Sebrae e estará disponível em outros três formatos para download no site www.biblioteca.sebrae.com.br.

Serviço:
Agência Sebrae de Notícias: (61) 3348-7494 e 2107-9377
Feira da Música - www.feiramusica.com.br

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